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Respiro, logo, penso
A questão dos 4 elementos, levantada no post anterior, ficou passeando pela minha cabeça esta semana. Uma pequena pesquisa me levou a pequenos resultados e, como algumas coisas ficaram no ar, não satisfeito, resolvi sair a campo (na verdade, sair a padaria) para saber o que as pessoas reais pensam sobre o assunto. Desci, então, para tomar um café e um pouco de ar...
Logo de cara encontrei uma amiga psico-esótero-místico-alternativa (sim, eu também tenho uma), achei que dali, debaixo daqueles cabelos vermelhos, poderia brotar algo interessante, então oi, beijinho, tudo bem?, perguntei:
- Me fala o que você sabe sobre os 4 elementos...
- Bom, sei lá... - disse, meio sem segurança pela pergunta à queima-roupa - Tuuudo está relacionado aos 4 elementos, Terra, Fogo, Água e Ar. Nosso corpo...
- Nosso corpo? - interrompi, curioso.
- É, olha só: nossos ossos são a Terra, a energia que nos move é o Fogo, o sangue é a Água, e o Ar... o Ar é o ar mesmo, sem ele a gente não vive...
- Ahnn... entendi. Vamos tomar um café? - convidei, sabendo que ela odeia café mais apenas do que os chás comerciais da padaria, evitando assim um aprofundamento na questão e que a astrologia atropelasse o assunto, como sempre.
- Ah, que pena!... tô indo pra minha terapia agora, atrasadaaaça!... me liga pra gente conversar. Você é Capricórnio, né? É Terra! (não falei?)
- Sou Sagitário... É Fogo! Hehehe! Ligo sim... - beijinho e tchau e fiquei interpretando o que colhi. Ossos e Terra foi legal, Fogo e energia até vai, mas sangue e Água forçou a barra, e o Ar... o Ar ficou meio no ar, mesmo.
Um menos místico (bem menos) relacionaria a Terra às minhocas, o Fogo aos bombeiros, a Água à chuva, e o Ar... ah, o ar fica sempre no ar mesmo.

As bruxas sempre colocam em suas receitas ingredientes relacionados aos 4 elementos. Rabo de lagartixa, por exemplo, está ligado ao Fogo, por acreditarem os antigos que esse animalzinho possuía uma libido exacerbada (daí o termo: Ela tem um Fogo no Rabo!).
Entrei na padaria, finquei os cotovelos nas minhas marcas no balcão e pedi meu café. Em seguida chegou o segurança da rua, rádio na mão, e pediu um com leite. Dei um tudo bem, Silva? e ele um tudo bem, Zé? e achei que seria um bom contraponto saber o que iria sair daquela segurança toda e assim, por cima da xícara do café, perguntei direto:
- Sabe alguma coisa sobre os 4 elementos, Silva?
- Não eram 4, eram 3... o da moto e mais dois que tentaram entrar na loja. A viatura já levou os dois. O da moto fugiu, foram atrás dele, mas sumiu no Ar - o rádio grasnou algo ininteligível a ouvidos não treinados a ininteligências, como os meus, ele atendeu, mandou uns QAP e uns Positivo! e, me olhando, arrematou - É Fogo!
- Éééé!... – concordei e resolvi não perguntar mais nada, já que os 4 elementos, nessa profissão, podem ser 3, ou mais, dependendo do tamanho da quadrilha... Continuamos o café e logo ele foi atender ao chamado, com um tchau e um gesto de pinduraí! para o garoto do café (seguranças seguramente têm umas boiadas). E eu fiquei ali, no Ar...

Segundo populares, os elementos se evadiram fantasticamente do local do crime.
Terminei o café, paguei (eu não tenho umas boiadas) e saí da padaria apontando uma boa tragada para a banca de jornais, a apreciar capas de revistas que jamais leria e notícias fresquinhas lidas ontem na internet (quem lê tanta notícia?...). Encostou o filho de um vizinho à procura de um sei lá o que de música e, com um oi, Zé!, me deu o gancho para a pergunta:
- Marcelo, vem cá, você sabe alguma coisa sobre os 4 elementos?
- Sei tudo, cara! Tamo montando uma banda cover... a gente toca um pouco de tudo, Police, Paralamas e tal, mas o forte mesmo é Beatles. Essenciais, cara, essenciais!... Gravamos um cdzinho pra vender na escola, galera gosta, vende que nem Água... - disse, com expressão alegre de quem ainda não foi apresentado à vida, seguindo com a vista um carro lotado que passava buzinando e parava logo abaixo – Deixa eu ir... tchau, Zé!
- Tchau! – respondi e atravessei a rua pensando na força desses 4 elementos, ainda essenciais quase 50 anos depois, Let It Be na cabeça e pensamentos no Ar...

Por que nessa foto só um elemento está de gravata? A garganta é a passagem do ar que entra pelo nariz... Nariz? Seria Ringo o Ar?
Na lotérica, colaborando para a fortuna do próximo ganhador da Mega-Sena, eu pensava:
É, existem mais elementos entre a Terra e o Ar do que sonha nossa vã filosofia... (mas é fato, sem respir... ar fica difícil filosof... ar).
Escrito por Zé do Café às 16h04
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A Volta dos que não Fouram
Hoje, dia 18 de janeiro de 2008... Uma data comemorativa para esse humilde blog (precisamos largar esse complexo de inferioridade). Sim, porque comemoramos o aniversário de 4 anos da Hora do Café e, o mais surpreendente de tudo, completamos 1 ano inteirinho sem publicar um único e mísero post! Ééééé, um ano! Sei que alguns irão dizer: Mas é um relaxado mesmo! - e outros dirão: Mas é um relaxado mesmo! - mas sei que a maioria dirá: Mas é um relaxado mesmo!

Essa antiga gravura foi encontrada recentemente numa ruína do que se supõe ter sido uma cafeteria alquímica renascentista e certamente representa os 4 elementos imprescindíveis à vida: a Água, o Fogo (para aquecer a água), o Café e o Açúcar. Nessa época ainda não havia sido inventado o coador...
Eu poderia vir aqui e dar as mais esfarrapadas desculpas, dizer que foi promessa (prometi não fazer mais isso), que estava de férias no Pantanal, que fui seqüestrado pelas Farc (Forças Antiblogs Relacionados a Cafezinhos), que peguei febre amarela, que estava no Tibet meditando sobre o sentido da vida de blogueiro... mas não... Pra que inventar? Acho que meus leitores (todos os... 4!) merecem uma satisfação e merecem, acima de tudo, saber o que me aconteceu nesses sofridos 365 (3 + 6 - 5 =... 4!) dias de silêncio. Foi assim: No ano passado, logo depois de publicar o post anterior, fiz uma viagem ao Mato Grosso, para visitar amigos que não via já havia uns... 4 anos, e lá, numa das caminhadas pela imensa fazenda, nos embrenhamos pela floresta e acabamos por nos perder. Felizmente, havia no grupo um matemático, o que evitou que andássemos em círculos pela floresta, e assim, andamos em hexágonos e octógonos por uns... 4 dias e, quando achamos que havíamos achado a civilização perdida, fomos capturados por... 4 guerrilheiros das Farc (já fiz a gracinha lá em cima). Nos levaram para seu acampamento no meio da mata e foi lá, naquele inferno verde, que adquiri uma indesejada febre amarela (se eu pudesse, optaria pela azul, mas me parece que estava em falta, e a cor-de-rosa eu recusei por puro machismo). Sofremos muito, comemos o pão que o diabo amassou (por sorte, tinha uma maionese batida por Deus, pra compensar) e só conseguimos ser resgatados... 4 meses depois, com a intervenção diplomática do grande líder latino-americano Chaves (contamos também com a astúcia do Chapolim Colorado). Para me recuperar dos traumas do cativeiro, um analista amigo meu disse que desse jeito não vou ser feliz direito e me aconselhou uma viagem ao Oriente para lavar a alma e secar mais rapidinho. Optei pelo Tibet (dominado pela China há mais de... 4 décadas) e lá, na tranqüilidade das alturas mais altas do planeta, recebi uma mensagem que não compreendi direito porque não entendo lhufas nem lhasas de tibetano e, em face disso, acendi meus últimos... 4 incensos naquelas terras e prometi que ficaria sem postar nessa Hora do Café até completar um ano do último post.

Na minha festa de despedida, esses 4 monges tibetanos fizeram uma homenagem aos 4 anos da Hora do Café. Não entendi direito, mas deu pra sacar pelos sinais que faziam com as mãos e, principalmente, na hora do Rhá-Tzhim-Bhrum! ÊÊÊÊH!...
E assim foi. E assim voltamos agora para o aconchego dos amigos dessa Hora do Café, com a esperança de que dias melhores verão... e posts melhores lerão.
Agradeço a presença desinteressada dos que aqui vieram nesses tempos magros em busca sei lá do que e prometo (lá vou eu de novo) que a partir de agora esse humilde blog voltará aos seus bons tempos... Será?
Escrito por Zé do Café às 00h48
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